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Lido: Cyberstorm – Matthew Mather (2026)

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Meu primeiro livro de 2026 (que, na verdade, comecei ainda em 2025) foi o best-seller de ficção científica Cyberstorm, do Matthew Mather. Confesso que comprei esse livro por engano: pensei que ele seria outro (Snowcrash), mas bati o olho na capa, vi que era ficção científica com aquele clima de desastre tecnológico e resolvi me dar de presente, ou melhor, pedi para a minha esposa me dar de presente de Natal.


Bem, vamos lá. No geral, o livro é muito bem escrito. Só tenho um ponto sobre o prólogo: ele me confundiu bastante, porque narra uma cena que só vai acontecer lá pelo meio da história. Você entra sem contexto, depois volta para o começo, e eu passei um bom tempo tentando me lembrar daquela primeira cena. Se você ainda não começou, eu diria até para pular o prólogo e voltar nele mais tarde; ele mais atrapalha do que ajuda na experiência.


O tema é exatamente o tipo de coisa que eu adoro: tecnologia, cibersegurança, infraestrutura crítica, tudo misturado com um inverno apocalíptico em Nova Iorque. Por mais estranho que pareça, é uma ficção científica bem atual, em paralelo com situações que já estamos vivendo. O mais curioso é que o livro é de 2014, então muita coisa que ele projeta já aconteceu ou está acontecendo na vida real.


Inclusive, depois fiquei bem impactado porque, por coincidência, nesse começo de ano(2026) estava rolando uma super nevasca em Nova Iorque. Enquanto eu lia as notícias e via as fotos, lembrava direto de cenas do livro. Felizmente, na vida real, nada chegou perto do colapso descrito nas páginas.


O protagonista é bem construído, com um drama familiar que ajuda a sustentar a tensão do enredo. Tem aquela mistura de problemas pessoais com o caos externo que hoje em dia é quase obrigatória nesse tipo de história, mas aqui funciona bem. O livro vai se desenrolando muito na pegada da construção social: apesar de falar o tempo todo de tecnologia e ataques cibernéticos, o centro da história é como as pessoas lidam com esse tipo de catástrofe, como a comunidade se reorganiza, como a confiança se esfarela.


Do começo até mais ou menos a metade, achei tudo muito forte e envolvente, daqueles livros que você não quer largar. Mais pro final, confesso que achei um pouco arrastado; o enredo parece ficar preso, você já está cansado junto com os personagens, e algumas soluções soam um pouco encaixadas demais. Mas isso não tira a graça do livro de jeito nenhum.


No geral, foi uma das leituras mais legais que já fiz sobre esse tema de colapso tecnológico e ciberataques. O autor entende bem do assunto, não cai em explicações mirabolantes demais nem em “sbrubbles” só para parecer inteligente.


Fechei o livro sinceramente me preparando para um colapso: pensando em estocar água, comida, comprar umas baterias e repensando o quanto a nossa vida depende de coisas que a gente nem vê funcionando.


Foi muito gostoso perceber que fazia tempo que eu não me empolgava tanto lendo uma ficção. Li bem rápido; antes mesmo das férias de começo de ano já estava avançando páginas sem conseguir parar. Uma bela forma de abrir 2026 com a primeira leitura do ano.


Livro: Cyberstorm

Autor: Matthew Mather

Terminei em: 03/01/2026

Nota (até 5): 4

Lido: Sombras de Reis Barbudos, do José J. Veiga (Companhia das Letras) (1/12 #2022)



Sombras de Reis Barbudos é para mim a melhor obra até agora lida do JJ Veiga. Sabendo-se do contexto do livro, que foi escrito em plena ditadura militar brasileira, a leitura se torna mais genial ainda, unindo seu realismo fantástico com todo um ambiente político e social daquele momento.

Começo o ano de 2022 fechando a leitura de um livro simplesmente genial: Sombras de Reis Barbudos, escrito pelo goiano José J. Veiga. É uma das obras mais bem pensadas que já li, de verdade. O livro em si habita no universo do realismo fantástico já conhecido das obras do JJ, o que é super interessante, porque ao mesmo tempo que é uma leitura rápida, direta, você na cabeça do personagem e tudo transcorrendo como se fosse a coisa mais natural do mundo (lembra bastante os livros do J.D. Salinger, que inclusive os nomes, com iniciais, parecem bastante não é?), também começam a ocorrer situações inimagináveis: um monte de muros aparecem no meio da cidade, urubus começam a entrar nas casas das pessoas, etc.

Só que o desenrolar é kafkaniano (esse sim, um autor que foi inspiração pro JJ), ou seja, de repente tudo muda, as pessoas duvidam do que aconteceu ou simplesmente parece que não aconteceu. Tudo conduzido com maestria na cabeça do personagem principal, o Lucas, que vai narrando aquilo com uma certa inocência, mas com convicção.

O resto é história, você tem que ler para imergir na escrita e acredito que vai gostar bastante.

Para mim foi uma ótima forma de começar 2022. Um livro que até parece atual para os dias de hoje, em que parece que é preciso confirmar duas vezes sempre o que é verdade e o que é fantasia.

Nota

Eu sempre gosto de dar notas baseadas na emoção de terminar o livro, então quase sempre são baseadas mais no momento atual do que numa régua certinha de mensuração de qualidade de tudo que já li. Então para esse aqui é 5. Genial a parte do mágico e como o contexto histórico está presente no livro.

Livro: Sombras de Reis Barbudos 
Autor: José J. Veiga
Terminei em: 01/01/2020 16:00h
Nota (até 5): 5




Lido: Mortes dos Reis (Crônicas Saxônicas vol. 6) - Bernard Cornwell

Versão Digital
Vamos falar do livro 6 da série Crônicas Saxônicas: Morte dos Reis que, como o Cornwell sempre faz, te dá pelo título um spoiler da trama e você passa o livro inteiro imaginando a hora que acontecerá e mesmo assim é surpreendido quando o tudo acontece!

Por ser o sexto livro da série (e após o quinto, que para mim foi um dos momentos mais fortes e com o final muito impactante), imagino que o leitor já tá bem cansado (Imagine Uhtred, não é mesmo?). E assim se passa o livro: é uma leitura mais lenta, mais carregada, cansativa em muitos momentos. Uhtred já não tem mais a sua idade tenra, as batalhas ficam cada vez mais apreensivas, claro que o leitor sabe que ele sobreviverá (ele é o narrador da história já em sua velhice, desde o livro 1), então isso nos dá uma certa confiança na vitória, mas no geral são batalhas mais mornas, sem muito favoritismo e com algumas perdas de personagens importantes. Muito diálogo, muita estratégia envolvendo os reinos e muitas traições também.

Um destaque interessante: neste livro dá para perceber que a religião começa a "ganhar o jogo", tanto os cristãos quanto os dinamarqueses apelam para o poder da fé como arma nas batalhas e mesmo o Uhtred, que é tão cético e muitas vezes debochado com isso, se rende ao poder da fé (não se convertendo) para que consiga influenciar positivamente seus soldados e ganhar a batalha final.

O rei Alfredo, como todos já imaginamos, morre neste livro. Não é uma morte rápida e óbvia, ela vai acontecendo durante praticamente todo o livro e muita coisa acontece girando ao redor desse iminente evento. Uhtred se encontra empobrecido, mas, durante o livro, ele consegue uma reviravolta, graças ao Alfredo em seu leito de morte. A única batalha que vale a pena ler – que é o que os leitores do Bernard Cornwell adoram – é a última e já dando um spoiler aqui: ela é muito mais o título do livro do que a morte do Alfredo em si. 

Cornwell não decepciona, é um excelente escritor e nos traz sempre uma história muito boa de ler, de acompanhar. Eu confesso que já estou cansado e não vejo a hora de Uhtred de fato recuperar sua fortaleza em Bebbanburg, mas imagine que ainda estou no livro 6, indo para o 7, e a série já se encontra no livro 11 (recentemente ele anunciou o 12 e disse que não será o último). Então, há muita terra ainda para andar e coisas para acontecer. Me restam dúvidas de como isso vai acontecer ou de como vai ser o roteiro até o final, já que no início da série se tratava de histórias como os clássicos do Bernard Cornwell, com muitas guerras e espadadas e machadadas e o Uhtred agora já tem quase 50 anos e já não tem mais o perfil e/ou já não consegue mais manter - de forma verdadeira - um perfil de ágil lutador.

Nota

Pensei em dar uma nota 3, mas manterei a nota 4, afinal apesar de ter levado quase 3 meses entre idas e vindas na leitura, consegui me prender bastante no final, principalmente com o resultado da batalha final, que nos dá aquele prazer de justiça sendo feita e da vitória!

Livro: Morte dos Reis (Crônicas Saxônicas vol. 6) 
Autor: Bernard Cornwell 
Terminei em: 02/08/2020 17:50h
Nota (até 5): 4