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Nota
Na ânsia em criar a próxima grande coisa – quebrando paradigmas – acabamos por perder a noção de que é mesmo o óbvio que precisa ser feito. Ele é o que a grande maioria das pessoas está vivendo, é o óbvio que essas pessoas estão consumindo.
O problema é que por estarmos situados nessa bolha tecnicista, estamos sempre pensando no além dele, ficamos situados no que chamo de O pós-óbvio. O pós-óbvio é aquela piada incrível que você contou na mesa, mas que ninguém riu. O pós-óbvio – embora soe óbvio, é melhor dizer – é o futuro do óbvio, é onde ainda chegaremos, é onde nós estaremos após os muitos tijolos do evidente já estarem ordenados.
Mas não ache que pelo óbvio estaremos no pior ou no mesmo, precisamos entender o óbvio, aprendê-lo e fazer o melhor dele. Tudo no mundo é um remix, se você olhar de perto a história do computador pessoal você vai perceber isso. O que é o sistema do Mac se não uma versão melhorada do Linux (BSD pros mais exigentes)? É como pensar em como surgiram as pirâmides: a melhor conclusão é que a estrutura piramidal é óbvia, é como todos empilhamos coisas, com bases largas e novos andares cada vez menores.
Longe de querer que você deixe de inovar, é preciso inovar, é preciso quebrar paradigmas, mas é muito, muito importante fazer o óbvio. O óbvio não é necessariamente o velho, ele é o evidente, e o nosso campo de ação se restringe às evidências.
Esse trabalho de detetive, de olhar, aprender e descobrir o que é óbvio lembra muito aquela já famosa frase do grande Leminski:
Isso de ser exatamente como se é ainda vai nos levar além.
Em 2018, marco um ciclo de 4 anos profissionais, eu já sei que é o meu tempo máximo de estagnação, são sempre em 4 anos que eu dou guinadas maiores, tangencio tudo. E nesse ano não será diferente.
1. Simplificar minha empresa
Tudo na vida envelhece, e as empresas também envelhecem. Percebi isso em 2017 e sei que é hora de tomar decisões em 2018. A principal delas é simplificar a operação da empresa. Tempo gasto demais, gerenciando gente demais, fornecedores demais, problemas demais. Simplificar significa enxugar tudo que se pode cortar. Não só coisa morta, mas tudo que se pode desfazer para voltar a respirar e crescer.Escolher é perder.
2. Focar em Produtos (ou voltando à minha natureza)
Quando se abre um negócio, o ponto inicial é buscar o equilíbrio financeiro, operar o mais rápido possível no azul. Na minha busca por criar uma empresa de produtos, tive que topar fazer alguns serviços, como uma forma de monetizar e conseguir estruturar uma equipe, equipamentos, etc.O problema é que esse círculo é vicioso e é preciso definir limites de ganhos/tamanho para os serviços, senão você fica refém deles e trabalha-se apenas para zerar a conta. Todo mês.
3. Produtizar tudo
Sabendo que não há a chance de cortar serviços de uma só vez, o plano agora é transformar todas as oportunidades de serviço em possíveis produtos escaláveis e vendáveis. Um relatório, um envio de pesquisa, uma tomada de opinião, qualquer tarefa repetitiva pode se tornar um produto para resolver a questão interna e já ser uma opção para outros negócios também resolverem os seus.4. Apostar em pessoas ambiciosas
Não leve esse subtítulo a mal, mas o maior déficit no empreendedorismo é de motivação. Não é fácil manter um time motivado o tempo todo, mesmo com liberdade, salários, prêmios, etc. Seria fantástico se as pessoas já viessem e se mantivessem motivadas o tempo todo, mas isso não vale nem para o tipo que quero buscar em 2018: os ambiciosos.Os ambiciosos não são oportunistas ou simplesmente mercenários que você teria que ir atrás. Não, são pessoas boas (na maioria das vezes), esforçadas, comprometidas, mas que têm um adicional: elas querem mais, elas querem crescer, ser independentes, viajar o mundo, conquistar coisas novas e sabem que isso será possível por fruto do seu trabalho. Quero encontrar mais pessoas assim, pois o ambiente que crio é bom para elas, para serem livres e para conseguirem ser as melhores.
Não confunda ambição com ganância. Uma pessoa ambiciosa quer mais e melhor, enquanto uma pessoa gananciosa quer tudo só para si e a qualquer custo.
– Mário Sergio Cortella
Um dos pontos mais interessantes do ecossistema de startups é o famoso "estilo google" ou "estilo facebook" de ser, onde os funcionários vivem numa espécie de Disneylândia, onde "tudo é liberado", "não tem horários", etc. É fascinante mesmo, tudo que a geração dos Millennials mais almeja: liberdade.
Falo sempre que a maior necessidade do ser humano não é dinheiro nem poder, a nossa maior necessidade mesmo é liberdade. Não suportamos sermos aprisionados por absolutamente nada, seja um relacionamento, um emprego, um ambiente ruim, uma obrigação e tudo mais. E é apenas um passo para perceber que a melhor forma de manter um ambiente formidável de trabalho é dando liberdade às pessoas: liberdade para decidir qual o seu melhor horário de trabalho, liberdade para desenvolver sua forma de agir. Isso é o que chamamos de uma empresa com cultura aberta, muitas vezes acompanhada de cultura de compartilhamento, que também envolve o espírito de partilhar o conhecimento, ouvir sempre as pessoas na hora de resolver problemas e manter um ambiente onde todas possam ter a oportunidade de participar. Esses dois adjetivos trazem ao ambiente corporativo uma relação mais honesta e confortável para as pessoas, e isso é uma conta bem lógica: pessoas mais felizes rendem mais, entregam mais.
Não dá para introduzir uma cultura do dia pra noite, ela na verdade nunca consegue ser imposta, uma cultura assim precisa ser desenvolvida, começando de cima para baixo, onde os líderes conduzem de forma mais justa. Não é o caso de ser "bonzinho", mas é contra a cultura de sempre ser "malzinho", a síndrome do esporrismo, onde parece que as coisas só funcionam com rigidez e truculência (realmente funcionam, mas por pouco tempo, nenhuma instituição no mundo que usou a força e a violência durou tanto tempo, a história está aí para provar). A cultura precisa ser sempre discutida, aperfeiçoada, em reuniões onde todos sintam-se a vontade para opinar, para melhorar, focando sempre na solução e nunca no problema.
Muitas empresas hoje já notaram que é a chave para o sucesso, é só olhar para qualquer TOP100 de empresas ricas ou "melhores lugares para trabalhar", a diferença não está mais em remuneração, está na cultura dessas empresas, em como elas lidam com as pessoas, como elas entram num ciclo de melhoramento permanente.
Manter um excelente ambiente de trabalho te fará atrair as melhores pessoas, melhores pessoas te farão entregar os melhores produtos, com os melhores produtos, você atrairá os melhores clientes e com essa corrente você certamente terá uma empresa com uma cultura fora-de-série.
Bem, como falei, já conhecia o autor e o fato de ter lido um dos volumes futuros me deu uma sensação estranha quando passava pelos nomes de alguns personagens, mas nada de mais. O livro 1 na realidade começa bem lá atrás e cobre uma boa parte do tempo, levando a vida do protagonista Uhtred de seus 7 anos até os 20, coisa que lembro que no livro três é diferente, pois o livro todo se passa entre 2 ou 3 anos de vida dele.
Meus pareceres: achei o livro bem fácil de ler, uma história bem amarrada, foram poucas as vezes que tive vontade de dar um tempo (para falar a verdade, isso aconteceu mais no miolo do livro, pois o início e o final são bem ligeiros e cheios de ação). Para mim, é complicado ler as cenas de batalhas mais detalhadas, com espada cortando garganta, sangue e tudo mais, mas até que consegui passar sem muitos enjoos (rs).
O livro conta a história de Uhtred, que é filho de um dos senhores do norte da Inglaterra pré-unificação. Ele é de um reino chamado Nortúmbria, mais precisamente ele é senhor em uma fortaleza chamada Bebbanburg. Logo na primeira batalha (com os vikings, que no livro são chamados apenas de nórdicos, dinamarqueses ou pagãos, já que o autor evitou o termo por questões técnicas que ele explica em notas históricas), ele já perde o pai e tudo mais, vai parar com os dinamarqueses e é criado por eles. Vê o tio tomar suas terras e se depara com a dualidade de ter sido criado entre os dinamarqueses, mas ser inglês de nascimento. Essa dualidade ele leva por todo o livro e imagino que por toda a história, mas o ajuda em vários aspectos.
Ele aprende a lutar, ganha umas batalhas, perde outras, e aí o destino dele se enlaça com o Rei Alfredo, que na verdade é o ponto-chave da trama, porque foi o rei que conseguiu unificar a Inglaterra e a série de livros na realidade conta essa história. E é história mesmo! O autor é conhecido por atrelar, sempre que possível, fatos verídicos em sua trama, incluindo o nome dos personagens, lugares, batalhas, fatos históricos e tudo mais. Pelo que li no final do livro - numa seção chamada Notas Históricas - apenas o personagem Uhtred e o Ragnar, dentre os principais, são fictícios, o resto é tudo real mesmo, até o Ivar, o Sem-Ossos, dinamarquês bem estranho que aparece na história.
A única parte negativa para mim é que o personagem sempre consegue se safar de todas as mortes e tudo (até porque senão não haveria mais livros), mas tem umas que fica difícil de acreditar que ele poderia se safar. Na realidade, para mim só uma mesmo, quando *** os ingleses que estão como reféns são mortos pelo Guthrum e ele é o único que não matam e o deixam sozinho numa ilha. ***
Fiquei com vontade de engatar a leitura no vol. 2, mas como comprei esse por uma pechincha e o outro está 3x mais caro, vou só deixá-lo na minha wishlist e comprá-lo assim que tiver em promoção.

Livro: O Último Reino (Crônicas Saxônicas vol. 1)
Autor: Bernard Cornwell
Terminei em: 31/08/2015 23:50h
Nota (até 5): 4
Sou fascinado pelo autor, Asimov para mim é o melhor escritor de ficção que já existiu (me desculpem Clark, Adams e Gibson). E resolvi reiniciar a leitura dos livros dele de acordo com as datas de lançamento.
O primeiro da lista é Pebble in the Sky (algo como pedrinha no céu, uma alusão à Terra vista da capital do império Trantor - no Brasil o título ficou como 827, Era Galática) e que, apesar de ser o primeiro livro lançado, veio após diversas estórias curtas publicadas em revistas de sci-fi.
O começo é bem lento, com uma explicação densa de como um dos personagens consegue viajar no tempo graças a uma falha nas “estruturas de tempo do espaço”, mas logo começa a ter uma narrativa rápida e cheia de mudanças de cenas - isso é um traço da literatura asimoviana, um capítulo é entrecortado por cenas contadas de várias perspectivas.
Um dos traços que mais admiro nas obras, nessa incluso, é que durante o enredo você é bombardeado por várias informações científicas que vão clareando e embasando os conceitos científicos envolvidos (Asimov era um exímio pesquisador). Isso acontece no livro principalmente quando é explicado o funcionamento do Sinapseador, uma aparelho desenvolvido por um cientista terrestre (Dr. Shekt) para estimular as sinapses num cérebro humano (e funciona), além das explicações de radioatividade, etc.
O romance dos personagens Arvardan e Pola Shekt (filha do cientista) começa a ficar bem insistente do meio da trama ao final (eu achei até um pouco forçado em algumas vezes), e você chega à parte final do livro com muita tensão nos acontecimentos (que passam a ser narrados praticamente de hora em hora) e uma narrativa que deixa os fatos acontecendo quase que simultaneamente em vários personagens diferentes.
Ufa! No geral adorei a leitura, apesar de ter demorado para passar do início. Como primeiro livro publicado, dá para notar que há muito a ser aperfeiçoado. A meu ver, o final pareceu um pouco acelerado, como se fosse necessário terminar logo o livro ali.
Livro: 827, Era Galática (Pebble in the Sky)
Autor: Isaac Asimov
Terminei em: 19/08/2015 15h
Nota (até 5): 3.5